10 set, 2025
Ciência, tecnologia e perspectivas de mercado marcam a abertura do 17º
Encontro Técnico de Algodão
"O futuro será definido pela capacidade de agregar valor à
produção e investir em infraestrutura”, diz especialista durante evento
realizado em Cuiabá
A Fundação Mato Grosso deu início
à 17ª edição do Encontro Técnico de Algodão, em Cuiabá (MT), com o tema central
“Inovação no Campo, Fibra que Transforma”. O evento reúne, até a próxima
quinta-feira (04), produtores, pesquisadores e especialistas para discutir
avanços científicos, resultados de pesquisas, indicações de manejo e
perspectivas de mercado. Neste primeiro dia, foram registrados cerca de 480
participantes, nos formatos presencial e virtual, ampliando ainda mais o
alcance e a relevância das informações produzidas por pesquisadores da Fundação
MT e convidados.
A abertura foi marcada pela fala
do diretor-presidente da Fundação MT, Romão Viana, que homenageou um dos
fundadores da instituição, presente na plateia: o empresário e produtor rural
Gilberto Goellner. “Para nós é uma honra receber aqui um dos fundadores da
Fundação Mato Grosso, em mais essa edição do Encontro Técnico de Algodão”,
afirmou.
Segundo o Gerente de Pesquisa,
Serviços e Operações da Fundação MT, Luiz Carlos de Oliveira, o Encontro
Técnico já é referência no setor, pois apresenta resultados da safra atual e
comparativos com safras anteriores, contribuindo para o planejamento da próxima.
“A programação é pensada a partir dos principais desafios enfrentados pelo
produtor, com painéis técnicos que abrangem entomologia, plantas daninhas,
doenças e nematologia, além de discussões sobre economia e mercado. Outro ponto
é que o evento abre espaço para muita troca de experiências”, destacou.
Neste primeiro dia, especialistas
com experiências e conhecimentos globais trouxeram diversas análises ao
público. Entre eles, Francisco Jardim, cofundador e diretor administrativo da
SP Ventures, que ressaltou a importância da ciência e do conhecimento para
sustentar um mercado consumidor robusto e qualificado. Ele lembrou que Mato
Grosso responde por mais de 70% da produção nacional de pluma de algodão,
segundo dados da Associação Nacional de Produtores de Algodão (Abrapa).
"Mato Grosso tem avançado de
forma significativa em pesquisa. A Fundação MT é um exemplo notável: uma
organização privada, sem fins lucrativos, que produz ciência de ponta, dialoga
com o setor produtivo e nasceu com forte cultura empreendedora”, afirmou
Jardim.
Ele também destacou que a vocação
de Mato Grosso para a produção de grãos coloca o estado em posição privilegiada
para atrair investimentos em inovação. Segundo ele, a cadeia agroindustrial
mato-grossense é composta por produtores altamente profissionais e setores de
grande valor agregado, com rastreabilidade e uso de insumos biológicos.
“Hoje, somos os maiores
investidores em biológicos no Brasil, com foco no combate a pragas como bicudo
e nematoides, o que demonstra o potencial de expansão desse mercado”,
completou.
O economista e ex-presidente do
Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS), Marcos Troyjo, reforçou o
protagonismo do estado no comércio internacional. Para ele, o alinhamento entre
governos locais, a excelência em diferentes cadeias produtivas e a crescente
inserção global tornam Mato Grosso peça-chave para que o Brasil siga líder nas
exportações da fibra.
"O futuro será definido pela
capacidade de agregar valor à produção e investir em infraestrutura. A demanda
externa deve permanecer aquecida e Mato Grosso continuará sendo um fornecedor
confiável. No curto prazo, os desafios estão ligados ao custo elevado do
crédito e ao cenário macroeconômico nacional. Mas, no longo prazo, Mato Grosso
tem um horizonte extremamente promissor”, avaliou Troyjo.
Abrindo a programação técnica, o
primeiro painel abordou o “Manejo Integrado de Pragas em Cenário de
Resistência”. A pesquisadora Mariana Ortega, da área de Entomologia da Fundação
MT, apresentou dados sobre a ocorrência da lagarta Spodoptera frugiperda no sistema soja-algodão, destacando
principalmente a importância de identificar o inseto em fases iniciais de vida,
para um manejo mais ágil. O pesquisador Guilherme Rolim trouxe informações
sobre a “suscetibilidade do bicudo-do-algodoeiro aos inseticidas”, enquanto os
doutores Paulo Souza e José Silvestre explicaram o novo modelo de gestão
experimental da Fundação Mato Grosso.
Ampla programação sobre a cotonicultura
A programação do 17º Encontro Técnico de Algodão segue até quinta-feira (04), com painéis que vão discutir desde a retrospectiva da safra 2024/25 e relatos de altas produtividades, até estratégias de manejo, uso de potássio em diferentes tipos de solo e métodos de controle de nematoides, plantas daninhas e doenças. O evento será encerrado reafirmando o papel de Mato Grosso como referência em inovação e produção sustentável de algodão, com uma palestra do PhD Marcos Fava Neves, que abordará o futuro do agro e da produção de algodão.