21 mai, 2025
A
Fundação MT ampliou ensaios de pesquisa em busca de informações ainda mais
detalhadas e traz orientações
As condições climáticas foram o
principal fator para o desempenho excepcional das lavouras na última safra de
soja (24/25) e proporcionaram a Mato Grosso o alcance de um novo recorde de
produtividade, com mais de 66 sacas por hectare, em média. Esta quantidade
representa 14 sacas a mais, no comparativo com a média vista na safra anterior.
Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) e
foram apresentados durante a 25ª edição do Encontro Técnico da Soja,
realizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso
(Fundação MT), em Cuiabá.
“A relação principal dos bons
resultados é com a precipitação e a temperatura”, explicou o consultor
agronômico da Fundação MT, Élcio Bonfada. “Tivemos uma melhor distribuição e
melhor volume de chuva durante a safra que passou. Aliado a isso, tivemos temperaturas
mais amenas. Vale lembrar que na safra 23/24 foram várias ondas de calor, e
isso teve um impacto direto sobre a cultura da soja”, completou.
Referência nacional em pesquisa
agropecuária, a Fundação MT também oferece consultoria agronômica, apoiando os
produtores na tomada de decisões estratégicas. “Nossos clientes, nesta safra,
tiveram a maior produtividade histórica da fazenda, seja em área própria ou
arrendada. Não estou comparando somente com a safra passada, estou falando da
série histórica”, destacou Bonfada. “Analisamos o planejamento agrícola do
cliente, as estratégias de manejo, a escolha de cultivares, a época de
semeadura e todas as definições relacionadas ao uso de produtos químicos e
biológicos com os melhores resultados a campo”, detalhou.
Outro fator decisivo para a
produtividade foi a escolha das cultivares. Para orientar os produtores na
seleção, a Fundação MT ampliou expressivamente as amostragens de cultivo nas
vitrines de cultivares. A pesquisadora em fitotecnia da Fundação MT, Daniela
Dalla Costa, explicou que foram instaladas mais de 1.600 parcelas experimentais
em seis áreas de pesquisa pelo estado, nos municípios de Sapezal, Nova Mutum,
Itiquira, Sorriso, Primavera do Leste e Alta Floresta. Os ensaios têm o
objetivo de responder a perguntas sobre a estabilidade e o desempenho das
cultivares em diferentes ambientes
“Esse aumento de ensaios se deve
justamente à preocupação que a Fundação tem em gerar resultados e entender
melhor a adaptabilidade e estabilidade desses materiais. Assim, conseguimos
avaliar diversas condições e ainda a sensibilidade a doenças e pragas, além do
potencial produtivo de cada cultivar nas diferentes regiões de produção do
estado”, afirmou a pesquisadora.
Desempenho
regional
Durante o Encontro Técnico de Soja,
os participantes tiveram acesso aos dados regionais das vitrines de cultivares
24/25. O destaque ficou para o experimento realizado no município de Sapezal,
que registrou a cultivar com maior produtividade, com 93 sacas por hectare em
um ensaio. “Foi um ambiente com uma quantidade de chuvas bem alta, inclusive
acima do que estávamos acostumados teoricamente, e também houve o
aproveitamento do potencial genético do material”, explicou a pesquisadora
Daniela Dalla Costa.
Regiões do estado que voltaram a
produzir soja, em áreas que eram destinadas somente para criação de gado ou
para integração lavoura-pecuária, também foram alvo de estudos da Fundação MT.
Entre elas estão o Vale do Guaporé
(sudoeste), Vale do Araguaia (nordeste) e Alta Floresta (extremo-norte). “São
ambientes de produção mais novos e que têm características de clima muito
diferentes do que nós estamos acostumados no restante do estado”, informou
Daniela Dalla Costa.
No caso de Alta Floresta, por
exemplo, a intensidade e a constância das chuvas, combinadas com baixa radiação
solar, impõem desafios adicionais ao desenvolvimento das plantas. “Ao mesmo
tempo em que há uma melhor distribuição de chuva ao longo da safra, também
existe menor radiação solar. Com menos luz, há uma limitação na disponibilidade
de energia para o crescimento vegetal”, explicou.
Expectativas
para a safra 2025/26
A projeção para a próxima safra é
otimista. Segundo Élcio Bonfada, os dados do Imea indicam que Mato Grosso
deverá ultrapassar os 13 milhões de hectares plantados com soja na temporada
25/26. “Acredito que, num cenário de neutralidade climática ou até de retorno
do La Niña, as condições serão novamente favoráveis. Se o clima colaborar como
nesta safra, podemos repetir — ou até superar — os números de produtividade”,
avaliou o consultor.
Quanto à escolha de cultivares para
o próximo ciclo, a pesquisadora Daniela Dalla Costa faz algumas indicações aos
agricultores. “Boa parte dos materiais de soja disponíveis no mercado são
novos. Por isso é importante que o produtor busque informações de fontes
confiáveis e ainda, observe resultados obtidos em mais de uma safra ou em
repetições de ensaios. Também, sempre que possível, a indicação é de que a
cultivar seja testada em alguma área da fazenda, nas condições existentes na
própria lavoura”, orientou a pesquisadora.
Crop AgroComunicação | Assessoria de
Imprensa Fundação MT