21 jul, 2025
Pesquisadores da Fundação MT apontam aumento
expressivo da praga em Sorriso e reforçam urgência de manejo antecipado
Pesquisas e
amostragem feitas pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso
(Fundação MT) identificaram um crescimento preocupante na população de diversas
raças de nematoides de cisto, em especial a raça 4+. Embora presente em várias
regiões produtivas, a predominância da raça 4+ foi percebida em lavouras
localizadas na região de Sorriso, no médio norte do estado. Os dados destacam
que a população dessa raça de nematoide de cisto é de difícil controle, e vem
avançando de forma significativa em áreas que utilizam cultivares de soja sem
resistência específica.
“Observamos o
aumento da raça 4+, principalmente onde as cultivares não apresentam
resistência a essa raça. Isso indica que precisamos revisar as variedades de
soja que são usadas pelos produtores e adotar estratégias de controle mais
eficaz”, alerta a pesquisadora doutora em nematologia da Fundação MT, Tânia
Santos.
Ainda segundo a
pesquisadora, além da raça 4+, as amostras coletadas em municípios do sul e
sudeste de Mato Grosso, como Alto Garças, Itiquira, Tesouro, Campo Verde,
Primavera do Leste, Rondonópolis e Pedra Preta registraram avanço das
populações de nematoides de galha e cisto.
Propriedades de Brasnorte, Campo Novo do Parecis, Santa Rita do
Trivelato, Diamantino, Ipiranga do Norte, Nova Maringá e Nova Mutum também
apresentaram aumento desses patógenos. A pesquisa mostrou que as lavouras estão
infestadas com nematoides de diferentes raças e a maioria das áreas teve
aumento de população no comparativo com a safra anterior, mesmo assim os
resultados relacionados a perdas de produtividade podem ter sido mascarados,
devido às condições de tempo que garantiram uma boa safra.
“Como no
período da safra 24/25 choveu muito bem, os produtores não sentiram tanto o
impacto que os nematoides causam na produtividade, como o que foi sentido na
safra anterior”, explica a pesquisadora e doutora em fitopatologia, Rosângela
Silva. “Mas há um alerta: se as chuvas não forem tão regulares na próxima
safra, o agricultor poderá enfrentar perdas muito mais acentuadas”, conclui.
UM SÓCIO INDESEJÁVEL NAS LAVOURAS
No cenário
nacional, nematoides já causam prejuízos estimados em R$27,7 bilhões na cultura
da soja, segundo análise divulgada pela Sociedade Brasileira de Nematologia e
as empresas Agroconsult e Syngenta. Para frear esse avanço, a Dra. Cláudia Dias
Arieira, da Universidade Estadual de Maringá (PR), reforça a importância de
envolver análises nematológicas desde o planejamento da safra. “É fundamental
definir se usaremos apenas químicos, biológicos ou uma combinação, garantindo
um manejo detalhado e eficiente”, orienta.
A pesquisadora
Juliana Nunes, da Fundação MT, reforça o alerta: “Quanto mais se retarda o
manejo de nematoides, maior se torna o problema. É possível manejar com
eficiência, mas precisamos agir o quanto antes. Por isso, conhecer a realidade
das populações de nematoides existentes em cada lavoura é essencial para saber
o que deve ser feito”, orienta a pesquisadora.
Como
estratégia, a recomendação dos especialistas começa com o acompanhamento e
diagnóstico das lavouras e segue com a escolha de cultivares que apresentem
resistência aos nematoides encontrados nas análises. Como forma de reduzir a
população de nematoides, a orientação também é fazer uso de plantas não
hospedeiras e promover a rotação de culturas. Outra forma de cuidado com as
plantas é o uso de produtos químicos e biológicos, que protejam as raízes,
especialmente quando as populações iniciais de nematoides ainda forem elevadas.
"O
controle de nematoides não pode ser feito à sorte. É algo que depende de manejo
contínuo, com monitoramento detalhado de cada área da lavoura, além do uso
integrado de ferramentas e no momento certo," conclui a pesquisadora
Rosângela Silva.
Fundação MT oferece serviços aprofundados
em nematologia
Nematoides são
vermes de tamanho microscópico, que podem ser encontrados em muitos meios,
inclusive no solo, onde boa parte ataca diretamente as raízes das plantas, o
que pode causar doenças ou simplesmente enfraquecer o vegetal. No caso dos
fitonematoides, que se alimentam das plantas, eles podem entrar pelas raízes e
permanecer durante quase todo o ciclo de vida dentro dela, causando
dificuldades para que a planta absorva água e nutrientes, o que atrapalha no
desenvolvimento dos cultivos.
A Fundação MT
possui equipe especializada e um amplo laboratório de nematologia que oferece
diversos serviços aos agricultores, por meio da amostragem de solos e raízes,
como por exemplo: a identificação e quantificação dos principais fitonematoides
que parasitam as plantas, a identificação de raças no caso de nematoide de
cisto da soja, além da avaliação dos nematicidas químicos e biológicos em casa
de vegetação, entre outras atividades.
Com resultados
de pesquisas, recomendações e serviços, a Fundação MT reforça seu compromisso
em oferecer suporte técnico aos agricultores, garantindo que o manejo de
nematoides seja realizado de forma proativa e eficiente.
Crop AgroComunicação | Assessoria de
imprensa da Fundação MT