6 ago, 2025
Devido à perda de eficácia no
controle da Spodoptera frugiperda, pesquisadores identificaram aumento nas
aplicações de inseticida para combate da pragaFoto: "Segunda safra do milho: MT registrou quebra da biotecnologia VIP para combate da lagarta Spodoptera frugiperda"
Muitos agricultores que fizeram o cultivo de milho na segunda
safra de 2025 tiveram mais gastos com o uso de inseticidas para o combate da
lagarta Spodoptera frugiperda, também
conhecida como lagarta-do-cartucho. Isso porque a biotecnologia VIP, usada em
sementes de milho e considerada uma das principais ferramentas de resistência e
controle da Spodoptera frugiperda,
demonstrou perda de eficácia com a adaptação do inseto, o que já vinha sendo
relatado nas safras anteriores. Diante
deste cenário, muitos produtores mato-grossenses precisaram fazer o uso mais
intenso de inseticidas nesta safra, o que trouxe impactos nos custos de
produção.
“Alguns produtores nem tinham inseticidas suficientes para
aplicar nas áreas, porque, teoricamente, era algo de que não precisariam. Eles
tinham dentro do planejamento uma ou duas aplicações, caso fosse necessário.
Mas, nesse ano, houve casos de produtores que tiveram que fazer seis ou até
sete aplicações em lavouras de milho devido à baixa eficiência das
biotecnologias”, explica a pesquisadora Mariana Ortega, especialista na área de
entomologia pela Fundação Mato Grosso.
Ainda de acordo com a pesquisadora, a tecnologia VIP é
baseada na inserção de uma proteína em cultivares de milho para conferir
resistência da planta à praga. Além disso, é a mais recente que existe no
mercado. Diante desse cenário de quebra da biotecnologia, a Fundação Mato Grosso vem reforçando o
trabalho de orientação técnica quanto ao uso correto dos inseticidas
disponíveis. “Algumas moléculas de defensivos já demonstram queda de eficiência
também e, com o uso mais frequente, esse problema pode se agravar. Se não forem
aplicadas da maneira certa e no momento adequado, podemos perder também as
ferramentas químicas de combate aos insetos, principalmente lagartas que atacam
o milho”, alerta a pesquisadora da Fundação MT.
Para preservar a eficácia dos produtos, a pesquisadora destaca a importância do monitoramento constante de pragas na lavoura. “Algo que já era importante, mas agora se tornou essencial. Monitorar permite ao produtor tomar decisões mais precisas, aplicar os produtos no estágio correto da praga e aumentar a eficiência do controle”, destaca Mariana Ortega.
Foto: pesquisadora Mariana Ortega, especialista na área de entomologia pela Fundação Mato Grosso
Além dos químicos, o controle biológico surge como aliado
indispensável. A Fundação MT tem realizado pesquisas em parceria com empresas
do setor, mostrando que, em associação com inseticidas químicos, os biológicos
potencializam os resultados e conseguem alcançar a lagarta em locais de difícil
acesso, como o interior do cartucho ou da espiga.
“Não se trata de escolher entre químico ou biológico, mas de
combinar os dois. O químico age rápido, mas por pouco tempo. O biológico tem
ação mais lenta, mas permanece por mais tempo no ambiente. Juntos, formam uma
estratégia mais robusta e sustentável”, afirma a pesquisadora.
Safra 24/25 tem alta produtividade,
mas quebra de tecnologia acende alerta para cultivos futuros
Apesar dos desafios enfrentados pelo produtor rural nesta
segunda safra de milho em Mato Grosso, a colheita avança com resultados
positivos. De acordo com dados do IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia
Agropecuária), até o momento mais de 90% da área já foi colhida. O estado,
líder nacional na produção do grão, deve alcançar 54 milhões de toneladas na
safra 24/25 — volume 14,52% superior ao registrado na temporada anterior. A
produtividade média também foi revisada, subindo de 117,74 para 126,25 sacas por
hectare, o que representa um aumento de 10,66% em relação à safra anterior.
No entanto, o bom desempenho vem acompanhado de um alerta
técnico: a quebra da tecnologia VIP no controle da lagarta Spodoptera frugiperda preocupa pesquisadores e produtores e pode
comprometer os resultados e custos das próximas safras. A especialista da
Fundação MT, Mariana Ortega, reforça que o momento exige uma mudança de postura
no manejo fitossanitário das lavouras, principalmente de segunda safra, uma vez
que não existem, no curto prazo, novas biotecnologias disponíveis para proteção
do milho.
“O desafio é grande, mas temos ferramentas para enfrentar
esse momento. Monitorar, aplicar corretamente e combinar estratégias será o
caminho para reduzir perdas e garantir sustentabilidade ao sistema produtivo. O
produtor precisará associar o uso de controle químico e biológico,
monitoramento de mariposas e atrativos alimentares, entre outras ferramentas”,
orienta Mariana Ortega.
Consultoria e pesquisa para um manejo
mais eficiente no campo
Para ajudar o produtor rural nas tomadas de decisões mais
assertivas, a Fundação Mato Grosso oferece o serviço de consultoria agronômica,
por meio do qual realiza o acompanhamento das áreas. O grupo de pesquisadores
também segue pesquisando a eficiência de todas as ferramentas de controle
disponíveis no mercado, como armadilhas para monitoramento de adultos,
atrativos alimentares, feromônio sexual, além dos produtos químicos e
biológicos.
“O nosso papel enquanto pesquisa é subsidiar os consultores
com informações sobre o melhor momento de utilização dessas ferramentas, para
juntos garantirmos o manejo eficiente dessa praga dentro do sistema de
produção. Lembrando que se trata de uma praga de difícil controle e pode causar
danos expressivos”, disse a pesquisadora Mariana Ortega.
Para saber mais sobre o trabalho da Fundação Mato Grosso e
serviços oferecidos acesse: fundacaomt.com.br