18 jul, 2025
Pesquisadores
avaliam efeitos do frio e do excesso de chuva na safra de algodão em Mato
Grosso
Fundação
MT aponta impactos na produtividade e na qualidade da fibra. Dados atualizados
e recomendações de manejo serão apresentados no Encontro Técnico de Algodão, em
setembro.
A chuva e o frio registrados em Mato
Grosso, na segunda quinzena de junho e no início do mês de julho, devem
impactar os resultados da safra do algodão no estado. Os pesquisadores da
Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) acompanham
as lavouras e trabalham na produção de ensaios de pesquisa, que vão avaliar a
influência das condições climáticas sobre o desempenho e a qualidade do
algodão, nesta safra 24/25.
No município de Sapezal, localizado
no oeste de Mato Grosso, uma das regiões com maior produção de pluma do estado,
foram registrados 108 milímetros de chuva, entre os dias 23 e 24 de junho,
considerado um volume expressivo e não esperado para o período. O registro foi
feito na estação meteorológica da Fundação MT, que fica no Centro de
Aprendizagem e Difusão (CAD Oeste).
“Nessa safra, tivemos chuva em
lavouras que já tinham os capulhos abertos, com a pluma exposta. Isso ocorreu
especialmente nas áreas plantadas mais cedo, entre o final de dezembro do ano
passado e o começo de janeiro de 2025”, explica a pesquisadora da Fundação MT,
Daniela Dalla Costa. Apesar do impacto nessas localidades, a pesquisadora
ressalta que o número de propriedades rurais que fazem o plantio nesse período
é limitado. “A área de colheita, em Mato Grosso, é pequena ainda. São áreas
muito restritas”, informa.
Outros ensaios de pesquisa estão em
andamento nos algodoeiros cultivados nos CADs de Primavera do Leste e Sorriso e
também têm o objetivo de avaliar o impacto da umidade na produtividade e
qualidade da fibra. Em Sorriso, choveu entre os dias 23 e 24 de junho, 33
milímetros, e em Primavera do Leste, 35 mm. “Quando avaliamos a produtividade
da cultura, que foi submetida a uma situação como essa, conseguimos identificar
alguns pontos de perdas”, esclarece a pesquisadora. “Existem indicadores de
qualidade de fibra, que sinalizam a deterioração que a chuva provocou na
fibra”, conclui Daniela Dalla Costa.
Baixas
temperaturas levam ao adiamento da colheita
Quanto ao frio que atingiu a safra
mato-grossense nos meses de junho e
julho, o impacto é diretamente no desenvolvimento das lavouras. Na
primeira semana de julho foi registrada uma onda de frio durante quatro dias consecutivos.
As madrugadas foram de temperaturas mais baixas em Sapezal, por exemplo, onde
os termômetros marcaram entre 11,7°C a 12,9°C, segundo o Instituto Nacional de
Meteorologia (Inmet). Sorriso também teve madrugadas mais frias, com mínimas de
14,6°C, conforme dados do mesmo Instituto.
De acordo com a pesquisadora Daniela
Dalla Costa, as baixas temperaturas afetam o metabolismo fisiológico das
plantas, desacelerando seu desenvolvimento e, consequentemente, alongando o
ciclo da cultura. “O frio era mais previsto do que a chuva, mas foi mais
prolongado que o esperado e provocou impactos significativos nas plantas. Com o metabolismo mais lento, o ciclo do
algodão se prolonga, o que significa que a planta permanecerá mais tempo no
campo e a colheita será retardada”, explica a especialista.
A pesquisadora orienta que os
produtores precisam redobrar a atenção quanto ao planejamento do manejo da
lavoura, principalmente na fase final do ciclo. Entre as medidas necessárias
está o uso estratégico de produtos que auxiliam no processo de maturação
uniforme das plantas. “O produtor já está habituado a utilizar essas
ferramentas, como maturadores e desfolhantes, mas agora será preciso um ajuste
bastante fino na aplicação. O desfolhante, por exemplo, é essencial para
provocar a queda natural das folhas sem comprometer a qualidade da fibra no
momento da colheita”, explica Dalla Costa.
Dados
e orientações estratégicas estarão no 17º Encontro Técnico de Algodão
O cenário de pragas, doenças e
produtividade da atual safra, além dos resultados de pesquisas e vitrines de
cultivares, será apresentado aos participantes do 17º Encontro Técnico de Algodão, realizado pela Fundação MT, de 2 a 4
de setembro, no Hotel Gran Odara, em Cuiabá.
Entre os principais pilares, que
estão sob controle do produtor e influenciam diretamente o sucesso da cultura
do algodão, se destacam a escolha correta das cultivares, o manejo adequado de
reguladores de crescimento — especialmente importante em cenários de
alongamento do ciclo —, além do controle eficiente de doenças e pragas, ao
longo do desenvolvimento da planta.
O impacto da qualidade da fibra do
algodão para o comércio exterior também será debatido no 17º Encontro Técnico
de Algodão. As inscrições para o evento já estão abertas e podem ser feitas
pelo site: fundacaomt.com.br.