5 nov, 2025
Confusão entre espécies leva a aplicações ineficazes e prejuízos ao
produtor, alerta pesquisadora da Fundação MT
Crop AgroComunicação - assessoria
Fundação MT
O plantio da soja avança em Mato
Grosso e o produtor rural precisa ficar atento à possível ocorrência de pragas
nas lavouras. “Essas espécies estão no ambiente, na lavoura. Tivemos uma safra
recente de algodão, com alta pressão de lagartas, então, se naquela área foi
registrada a ocorrência de uma praga, o produtor já sabe o desafio que tem para
enfrentar agora com a soja”, alerta a pesquisadora Mariana Ortega, especialista
na área de entomologia da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de MT
(Fundação MT).
A pesquisadora relata ainda que,
durante o desenvolvimento das plantas, os técnicos de monitoramento de campo
podem ter dificuldades na identificação correta das lagartas do gênero Helicoverpa spp., que podem causar
prejuízos significativos, sobretudo quando confundidas com outras pragas como a
Spodoptera frugiperda.
As lagartas Helicoverpa armigera e Helicoverpa
zea são morfologicamente idênticas, em todos os estágios de
desenvolvimento, podendo ser diferenciadas com precisão apenas com análise
molecular. Além disso, essas duas espécies são semelhantes à espécie Spodoptera frugiperda nos estágios
iniciais de desenvolvimento, especialmente até o segundo instar (fase larval logo após a eclosão do ovo). No entanto, sua
identificação correta é essencial para o sucesso do controle químico e
biológico, pois cada espécie pode responder de forma diferente aos produtos
aplicados. A Helicoverpa armigera é
encontrada com mais frequência nas áreas de soja e algodão, enquanto a Helicoverpa zea está presente
principalmente no milho, mas já foi identificada causando danos também na soja.
Ambas têm preferência por estruturas reprodutivas da planta, como botões
florais e vagens, sendo mais críticas a partir do estágio reprodutivo da soja.
Fundação MT desenvolve kit que facilita a identificação da lagarta Helicoverpa armigera.
“O primeiro desafio no campo é
encontrar a lagarta, que, nos estágios iniciais, é muito pequena e se esconde
nas folhas novas. Depois, vem a dificuldade de identificar corretamente qual é
a espécie. E isso faz toda a diferença no tipo de produto a ser utilizado”,
explica Mariana Ortega.
Um erro de identificação pode
levar à escolha inadequada do defensivo agrícola, o que não apenas aumenta os
custos com reaplicações, mas também potencializa os danos à lavoura. Em casos
relatados à Fundação MT, produtores chegaram a perder áreas inteiras após
utilizarem produtos ineficazes para aquela espécie.
“Se o técnico confunde com uma Spodoptera frugiperda e aplica um
produto voltado para essa espécie, a lagarta Helicoverpa pode não ser controlada. Ela vai continuar se
alimentando da planta e causando danos até uma nova aplicação ser feita, o que
aumenta o custo e o risco de perda de produtividade”, explica Mariana Ortega.
Para ajudar no manejo correto
dessas pragas, a Fundação MT desenvolveu um kit que facilita a identificação de
lagartas. O material é produzido em laboratório com exemplares reais,
preservados em resina, e mostra as diferentes fases de desenvolvimento das
principais espécies de lagarta, permitindo a comparação. O kit é especialmente
útil nos estágios iniciais, quando as diferenças são muito sutis. A Fundação MT
ainda realiza treinamentos técnicos em fazendas, capacitando as equipes
responsáveis pelo monitoramento de pragas nas lavouras.
“O pessoal gosta bastante dos
kits porque ajuda a visualizar o tamanho real das lagartas. Muitos se
surpreendem ao ver que uma lagarta de terceiro instar é bem menor do que imaginavam”, comenta a entomologista.
A Fundação mantém uma criação
contínua de várias espécies de lagartas em laboratório, o que permite produzir
kits com todas as fases da praga: do ovo até a pupa.
Spodoptera frugiperda também preocupa desde o começo da safra de soja
Outra praga que pode causar danos
na fase inicial é a Spodoptera frugiperda,
geralmente vinda de culturas anteriores, como milho e algodão, em estágios mais
avançados. Essas lagartas maiores têm capacidade de cortar plantas
recém-emergidas, o que reduz o estande e compromete a produtividade da lavoura
desde o começo.
Fundação MT desenvolve kit que facilita a identificação da lagarta Spodoptera Frugiperda
“Helicoverpa armigera ou Helicoverpa zea também podem estar presentes nesse estágio, mas ficam mais escondidas e agem como desfolhadoras. A partir do reprodutivo, as duas se tornam ainda mais perigosas porque atacam estruturas como flores e vagens”, reforça a pesquisadora.
Algumas cultivares de soja entram
no estágio reprodutivo com apenas 30 a 40 dias após a semeadura. Por isso, o
monitoramento minucioso desde os primeiros dias é fundamental para garantir uma
lavoura saudável e produtiva. “É um tempo curto. Então, se eu não monitorei bem
a minha cultura, não controlei bem essas lagartas, caso elas ocorram, e cheguem
ao estágio reprodutivo, eu já tenho lagartas grandes, mais difíceis de
controlar e mais dano elas vão causar. Então, por isso que nessa fase inicial é
bem importante a gente monitorar bem e, se for o caso, já entrar com algum
controle”, alerta a pesquisadora da Fundação MT.